Me perdoe,
Te amo,
Sou grata.
Assim inicio o mantra que direciona meus pensamentos.
Num esforço de compreender os desentendimentos
Causados pela inconformação daquilo que não deveria ser;
A dificuldade está em aceitar a invisibilidade
Que reveste a idade que avança,
A presença não notada,
Travestida de utilidade.
Ao encontrar no olhar do outro
Um vazio de sentidos
Gritando em seu silêncio absoluto
Por uma razão de viver
Minh'alma então se desmancha
Contaminada pelo ácido que a corrói
Entre lágrimas encandecidas que escorrem
Na face enrudecida
Evidenciando minha comoção.
E nessa lamúria em altos brados
Fica a certeza do desespero
Que me assola
Por temer o futuro tão próximo.
Se não entendes
É porque não percebes.
Pronto, falei e você?

