domingo, 26 de janeiro de 2014

DOR NA ALMA POR UM GRITO SUFOCADO.

... 

Me fala na alma que cala
Que se desnuda diante de mim,
Devolva-me a paz que eu não conhecia e com  esperança a desejava como recompensa.
Me tira dessa dor que nasce em mim a partir da dor do outro e mate todos os monstros que rouba a inocência e prolifera nos escombros doentio da aparência inofensiva.
Arranca do meu peito a vontade do grito que ainda sussurra em meus pensamentos
Deixe que eu me perca nas lágrimas que contive,
Que não se enxugue nenhuma gota e seque a fonte do desespero.
Torture, ... despedace... 
Desalinhe essa inconformidade que sinto na desumanização do ser, mas não me deixe naturalizar a crueldade.
Que todas as sujeiras se transforme em pó e que esta poeira seja um suspiro de alívio.
Que o meu chão se abra 
E no precipício transforme o conforto da ilusão 
No desconsolo da cruel realidade desumana.
Mas me permita ser eu mesma,
Permita o choro, as lamentações, as injúrias
Porque não consigo mais fingir...
É insuportável arrastar pela longa estrada tanto sofrimento,

Ainda dói...

Eu te vejo.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PEDAÇO DE CHÃO




Pedaço de Chão

Naquele canto do mundo,
Num pedacinho de chão,
Nasceram, cresceram e viveram,
Sonhos, desejos, promessas.
De uma gente simples que conhecia o trabalho do campo e sabia
Quando era tempo de plantar e quando era tempo de colher.
Cuidava da terra como quem cuida de sua alma,

Se olhares pra aquela terra, até dá pra imaginar...
A mãe gritando seus filhos, chamando pra almoçar,
Com a panela de ferro no fogão de lenha,
Enquanto o pai vem da lida com o gado de ordenha,
E a peonada vai se achegando,
Guiada pelo cheiro do “cumê” que tá pronto.
- Peia! Passa a porteira e vamo chegá.

É como se pudesse ver...
Naquele quintal formado, na sombra de 11 jabuticabeiras,
A molecada correndo, pensando no que aprontar,
Se sobe na seringueira ou se agarra na paineira
Que tem ali bem na porta da casa, só pra avistar,
A folia de reis que vem chegando com seus palhaços naquele cafundó,
Ou se corre atrás do fogão de lenha pra roubar os quitutes da vó.






As meninas fazendo sua boneca de espiga de milho com os cabelos de franjinha,
Recebendo a comadre na sua casinha enquanto lhe serve uma comidinha.
- Vem, vamos brincar de casinha e eu sou a mãe e não dou moleza!
Num faz de conta que só a imaginação constrói com tanta riqueza.

Enquanto os filhos moços trabalhando pra ajudar seu pai na lida,
Só para ir ao baile do seu Afonsim e quem sabe namorar...
Pegar na cintura da moça disfarçando pra seu pai não vê,
Que o encontro está marcado, assim que baixar o luar.
Mas ai daquele moço metido à besta que amarrou seu cavalo
No pau da barraca só pra acabar com o baile do sanfoneiro,
O cavalo balão mesmo trotão sai no embalo,
Alcançando o pedubó e laçando no seu nó,
Dando um jeito nesse arruaceiro.

Mas se não souber dar explicação
Pode chamar as benzedeiras,
Sua reza cura até “mau oiado”
E a coisa então se ajeita.

Como pode não imaginar
Que neste pedaço de chão...
Que é só um pedaço de chão,

Mas que tem tantas histórias pra contar...