Pedaço de
Chão
Naquele
canto do mundo,
Num
pedacinho de chão,
Nasceram,
cresceram e viveram,
Sonhos,
desejos, promessas.
De uma gente
simples que conhecia o trabalho do campo e sabia
Quando era
tempo de plantar e quando era tempo de colher.
Cuidava da
terra como quem cuida de sua alma,
A mãe
gritando seus filhos, chamando pra almoçar,
Com a panela
de ferro no fogão de lenha,
Enquanto o
pai vem da lida com o gado de ordenha,
E a peonada
vai se achegando,
Guiada pelo
cheiro do “cumê” que tá pronto.
- Peia!
Passa a porteira e vamo chegá.
É como se
pudesse ver...
Naquele
quintal formado, na sombra de 11 jabuticabeiras,
A molecada
correndo, pensando no que aprontar,
Se sobe na seringueira
ou se agarra na paineira
Que tem ali
bem na porta da casa, só pra avistar,
A folia de
reis que vem chegando com seus palhaços naquele cafundó,
Ou se corre
atrás do fogão de lenha pra roubar os quitutes da vó.As meninas fazendo sua boneca de espiga de milho com os cabelos de franjinha,
Recebendo a
comadre na sua casinha enquanto lhe serve uma comidinha.
- Vem, vamos
brincar de casinha e eu sou a mãe e não dou moleza!
Num faz de
conta que só a imaginação constrói com tanta riqueza.
Enquanto os
filhos moços trabalhando pra ajudar seu pai na lida,
Só para ir ao
baile do seu Afonsim e quem sabe namorar...
Pegar na
cintura da moça disfarçando pra seu pai não vê,
Que o
encontro está marcado, assim que baixar o luar.
Mas ai
daquele moço metido à besta que amarrou seu cavalo
No pau da
barraca só pra acabar com o baile do sanfoneiro,
O cavalo
balão mesmo trotão sai no embalo,
Alcançando o
pedubó e laçando no seu nó,
Dando um
jeito nesse arruaceiro.
Mas se não
souber dar explicação
Pode chamar
as benzedeiras,
Sua reza
cura até “mau oiado”
E a coisa
então se ajeita.
Como pode
não imaginar
Que neste
pedaço de chão...
Que é só um
pedaço de chão,
Mas que tem
tantas histórias pra contar...
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